Olá Pessoal Amigo do Ivi…

Por proposta de Ivo Benfatto, aprovada no 40º Congresso realizado em Esteio, o Movimento Tradicionalista Gaúcho define um tema anual para ser trabalhado pelos tradicionalistas, individual e coletivamente, em todos os níveis do movimento.

Em janeiro deste ano, em Canguçu, foi aprovada pela unanimidade dos tradicionalistas reunidos no 56º Congresso proposição para o tema anual para 2009, de autoria de Ivo Benfatto e relatada por Marília Dorneles.

Para conhecimento da família tradicionalista, transcrevemos esta importante proposição:

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

É fato notório que o movimento tradicionalista gaúcho organizado avolumou-se de tal forma que se transformou num originalíssimo e gigantesco organismo social, extremamente difícil de ser mantido integralmente identificado e fiel aos fundamentos básicos que lhe deram origem. A filosofia do Movimento Tradicionalista está presente na Tese de Barbosa Lessa “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo”, que toma forma como diretrizes claras e precisas na Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista. O desenvolvimento de qualquer atividade, se tiver por norte seu conteúdo, por si só, bastaria para facilitar a coesão interna do movimento e a manutenção da coerência entre as ações praticadas pelos tradicionalistas, de forma isolada ou através das instituições, com os seus propósitos.

Um observador mais atento verificará que muitas entidades filiadas ao MTG desenvolvem suas atividades sem a necessária consciência de que fazem parte de um universo maior, que possuem objetivos comuns, relevantes não só para si, mas para toda a sociedade, os quais só podem ser atingidos pelo somatório do esforço de todos os tradicionalistas, unidos em forma associativa, formando e dando vida útil ao Movimento.

As entidades devem se organizar de forma a proporcionar condições para que seus associados, e seus dependentes, tenham facilitada a absorção de conhecimentos que os levem à plena consciência da sua identidade cultural, que funcionem com o um núcleo de cultural local onde, pela vivência, haja a passagem, de uma geração a outra, dos componentes da cultura regional a ser preservada e vivida. Somente assim haverá consciência dos reais e sérios objetivos que nós todos, como tradicionalistas, devemos perseguir, o que não vem acontecendo a contento, seja por falta de uma visão mais arrojada dos dirigentes, ou pela fragilidade da estrutura organizacional das entidades filiadas ao Movimento Tradicionalista. Os CTG, e os tradicionalistas, precisam se aperfeiçoar para atender o sentido do tradicionalismo gaúcho idealizado, de forma a construir o valor social das entidades apontado por Barbosa Lessa em sua Tese de 1954

Muitos de nós temos descurado do fundamental, priorizando objetivos que deveriam ser somente intermediários para conquistas maiores. Pensamos com timidez ou voltamos muito do nosso esforço para, muitas vezes, apenas buscar o destaque pessoal, ou da nossa entidade, exaltando demasiadamente o sucesso, traduzindo, num troféu de vitória, o objetivo a ser atingido, como se esse fosse a razão maior das nossas práticas.

Atualmente, os dirigentes do movimento tradicionalista de qualquer nível, dedicamos grande parte do nosso tempo para tratar de competições: preparando a forma de participação ou organizando, divulgando, executando, avaliando ou buscando solucionar dificuldades havidas. Difícil a reunião em que o evento e a competição não estejam em pauta. Nossas reuniões de trabalho poderiam ser enriquecidas sobremaneira se nelas fosse dedicado espaço para o estudo dos relevantes problemas com que se debate a sociedade e, baseados nos valores que defendemos, alinhavar sugestões e posicionamentos em busca de soluções, ou ainda, para buscarmos o nosso aprimoramento cultural. Os concursos, os rodeios, as festas são todos muito

importantes e precisam continuar, porém valorizados pela consciência do real papel que devem desempenhar no contexto de objetivos maiores, muito bem orientados, vale frisar, na Carta de Princípios Movimento Tradicionalista. Como tradicionalistas, nos cabe transformar nossos ideais em ações e, dessa forma, darmos nossa contribuição para transformar em grandiosidade o nosso atual gigantismo.

No conjunto de tradicionalistas temos capacidade para abordar e discutir qualquer tema, visto a amplitude, a abrangência e a heterogeneidade de vivências dos nossos militantes e, para isso, basta que busquemos conhecer os objetivos a atingir, transformá-los em metas e nos motivar para a ação, não da forma tímida e eventual, como atualmente o estamos fazendo, mas na real medida das nossas necessidades e potencialidades.

O Movimento precisa saber administrar o gigante em que se transformou. Estaremos no rumo certo? Não seria este o momento mais propício para reavaliar nossa atuação individual e coletiva, reconhecendo nossas limitações pessoais e, como exemplo, tratar as competições como uma realidade necessária e válida para a manutenção e o aprimoramento do Movimento? Não seria esta a hora, PRINCIPALMENTE, de preservar a FILOSOFIA DE VIDA ligada à identidade cultural do gaúcho, através de estudos e de estratégias para o cumprimento dos objetivos fundamentais do movimento pois que são sustentados pela escala de valores herdada dos nossos antepassados, valores esses que seriam enaltecidos como válidos por qualquer grupo social que desejasse melhor futuro num presente bem construído? Esses objetivos fundamentais, nossa escala de valores, nossos hábitos e costumes, nosso folclore e nossa tradição não devem e não podem ser relegados a segundo plano, pois que são as vigas mestras da nossa identidade cultural, em cuja defesa se organizou o movimento tradicionalista a partir de 1948 com a fundação do “35” CTG, em Porto Alegre.

Não podemos deixar, sob hipótese alguma, por inconsciência, acomodação ou alienação, que se crie e se fortaleçam condições de risco, por menores que sejam, que possam ameaçar esse formidável movimento social, que tanto pode contribuir para o aprimoramento da vida em comum de todos os homens emulheres de todas as querências, e dos seus descendentes, de características tão próprias, tão nosso.

Companheiros, este tema pode parecer complexo, mas lembramo-nos que a CBTG, os MTG, as Regiões Tradicionalistas e as Entidades são abstrações que somente tomam forma e sentido pela existência de cada tradicionalista, de todos nós, unidos em torno de um ideal comum. Essas entidades, criadas por nós, serão exatamente o que nós quisermos que elas sejam, daí a importância desta proposta de reflexão.

Nós somos o movimento tradicionalista gaúcho! Somos os únicos responsáveis pelo desenvolvimento, pelo seu futuro e, para isso, devemos estar preparados, conhecendo e praticando a nossa Carta de Princípios, parando para pensar, tendo consciência da diferença entre o estar e o ser tradicionalista, destacando e preservando a cultura de origem campeira, que deve balizar o movimento, mas convivendo harmoniosamente com todas as demais contribuições culturais presentes no rio grande, proporcionando condições para que se fortaleça a pesquisa, valorizando os resultados alcançados, servindo de pólo multiplicador do conhecimento acumulado.

 

JUSTIFICATIVA 
 

 

1. Considerando a necessidade sempre presente de se buscar a autoconsciência sobre os objetivos que justificam nossa atuação tradicionalista quer individualmente, quer em grupo;

2. Considerando que o ideal está em SER tradicionalista e não em ESTAR tradicionalista, como passageiro de um modismo inconseqüente ou em busca de objetivos individuais nem sempre positivos;

3. Considerando que o Movimento Tradicionalista Gaúcho passa por momentos onde muitos dos seus integrantes carecem de maior consciência sobre o SER tradicionalista;

4. Considerando que o Movimento Tradicionalista Gaúcho, através das ENTIDADES FILIADAS, possui os instrumentos necessários para orientar a formação e desenvolvimento de uma fortalecida consciência tradicionalista, onde se destacam, dentre outros, os documentos: “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo”, de Barbosa Lessa, a “Carta de Princípios” e o “Manual do Tradicionalismo”, de Glaucus Saraiva, o “Plano de Ação Social do MTG”, de Onésimo Cardoso Duarte, bem como o Estatuto e o Regimento do MTG;

5. Considerando a necessidade de que sejam levados da teoria à prática todos os princípios que embasam a identidade cultural do gaúcho e a sua escala de valores;

6. Considerando que o tema “Consciência Tradicionalista”, mesmo tendo já sido eleito como objetivo anual em 1996 e os avanços então alcançados, diante das necessidades que o momento de transição social originado pela expectativa gerada pela passagem de um milênio a outro, e todas as dificuldades para a perenização do movimento;

7. Reforçando, ainda, que a prática do ideal tradicionalista gaúcho, que deve estar a serviço da melhoria de vida da comunidade como um todo onde estiver inserido, tem que ser baseado nos seus pressupostos filosóficos, nos seus objetivos permanentes.

 

PROPOMOS:

que as atividades do MTG, através das Regiões Tradicionalistas e entidades filiadas, sejam orientadas tendo por base atingir os objetivos estabelecidos pelo TEMA:

2009 – Construindo no CTG o sentido e o valor do tradicionalismo

Para dar forma ao que propomos, sugerimos as seguintes ações:

 

 1)  Desenvolver estudos aprofundados sobre os documentos básicos do tradicionalismo gaúcho, prioritariamente sobre a tese “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo” e a “Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista”.

  2) Buscar consciência sobre os componentes da escala de valores tradicionais da cultura gaúcha a serem preservados, válidos para toda e qualquer comunidade pela universalidade de seus conceitos, inventariando-os, estudando-os e incentivando sua prática, dentro e fora do universo tradicinalista

  3) Divulgar amplamente o tema anual, para conhecimento dos militantes do movimento, dos seus simpatizantes e da comunidade em geral, utilizando-o como “barra inferior” em todos os documentos expedidos pelas entidades tradicionalistas filiadas ao MTG, tais como ofícios, cartazes, convites, etc;

  4) Em todos os níveis do tradicionalismo organizado, proporcionar condições, as mais amplas possíveis, para a participação da juventude na discussão e implementação prática do tema proposto;

 5) Em todos os níveis do tradicionalismo organizado, fazer com que o tema anual conste no temário de encontros, seminários e concursos culturais tradicionalistas gaúchos no Rio Grande do Sul;

 

 

  IVO BENFATTO 

 “Em qualquer chão, sempre gaúcho”

“Pelo Rio Grande, pelo Brasil”

Texto extraido na íntegra do site do MTG – www.mtg.org.br

About these ads